Libertadores 1999

Estádio Palestra Italia, 16 de junho de 1999. Após uma sofrida disputa de pênaltis, encerrada com um aliviante barulho de bola carimbando a placa de publicidade, o Palmeiras garantiu o tão sonhado título da Copa Libertadores e, finalmente, completou sua sala de troféus com a única taça que lhe faltava.

Primeiro clube brasileiro a disputar a principal competição do continente, o Verdão havia batido na trave duas vezes na tentativa de conquistar a América, em 1961 e 1968, mas, naquela saudosa noite, já no crepúsculo do século 20, a espera chegava ao fim.

Primeira fase

À época, o regulamento era diferente do atual e os grupos eram formados por times dos mesmos países. O Palmeiras integrava o grupo 3, ao lado do Corinthians, então campeão brasileiro, e dos paraguaios Cerro Porteño e Olimpia. Outra chave complicada era a 2, com os argentinos Vélez Sarsfield e River Plate e os colombianos Deportivo Cali e Once Caldas.

A estreia palestrina ocorreu no dia 27 de fevereiro, contra o Corinthians, no Morumbi – foi o primeiro Derby da história válido pela Libertadores. O Alviverde, campeão da Copa do Brasil na temporada anterior, ganhou por 1 a 0, com gol do lateral-direito paraguaio Arce, aos 12 minutos do segundo tempo.

No duelo seguinte, uma goleada: Palmeiras 5 a 2 no Cerro Porteño em pleno Estádio Defensores Del Chaco, em Assunção-PAR. Os tentos do Verdão, sendo quatro de cabeça, foram de Júnior Baiano (duas vezes), Cléber, Evair e Oséas.

Na sequência, foram três resultados adversos e um clima de desconfiança: 4 a 2 para o Olimpia em Assunção-PAR, 1 a 1 com o mesmo Olimpia no Palestra Italia e derrota para o Corinthians por 2 a 1 no Morumbi. Foi neste confronto ante o arquirrival, aliás, que o goleiro reserva Marcos, após uma lesão do titular Velloso contra a União Barbarense, pelo Paulistão, assumiu a meta.

Assim, a classificação só veio na última rodada, com o triunfo de virada sobre o Cerro Porteño por 2 a 1. Júnior Baiano, um dos artilheiros da competição com seis bolas na rede, e Arce, com um chutaço de fora da área, sacramentaram a vaga nos mata-matas.

Disputando concomitantemente também o Torneio Rio-São Paulo, o Campeonato Paulista e a Copa do Brasil, o Verdão avançou como o vice-líder da chave, com dez pontos, dois a menos que o Corinthians.

Oitavas de final

O adversário nas oitavas foi o Vasco da Gama, que, por ter sido campeão da Libertadores na edição passada, tinha o direito de iniciar o certame já na fase eliminatória. No primeiro jogo, no Estádio Palestra Italia, empate por 1 a 1, gol de Oseás. No Rio de Janeiro, com show do jovem meia Alex, então com apenas 21 anos, os comandados do técnico Luiz Felipe Scolari venceram epicamente por 4 a 2 (gols de Paulo Nunes, Alex duas vezes e Arce). O triunfo trouxe um ânimo sem igual ao elenco, que, na sequência, enfrentaria o Corinthians novamente.

Quartas de final

Atuando no Morumbi, o Palmeiras levou a melhor no primeiro confronto com o Corinthians por 2 a 0, com gols de Oséas e Rogério. Porém, o nome da partida foi o camisa 12 do Verdão. Marcos simplesmente fechou o gol, com um espetáculo de defesas difíceis e de diversas maneiras. Foi ali, diante de um oponente histórico, que a alcunha de Santo começou a tomar corpo.

No segundo encontro, Marcos teve outra boa atuação, mas não conseguiu conter os corintianos na etapa regulamentar. Troco dos rivais por 2 a 0. No entanto, na decisão por pênaltis, o arqueiro brilhou mais uma vez. Após ver Dinei bater para fora a segunda cobrança, Marcos defendeu o chute de Vampeta e se ajoelhou no gramado agradecendo a Deus. O Verdão estava na semi! O adversário a ser batido seria o River Plate-ARG.

Semifinais

No dia 19 de maio, no Monumental de Núñez, em Buenos Aires-ARG, o Verdão foi bombardeado. Os argentinos, com nomes como Sorín, Gallardo, Saviola e Angel, testaram de todos os jeitos o já canonizado São Marcos, contudo somente uma bola passou. O Alviverde perdeu por 1 a 0 graças a mais uma exibição de gala de seu goleiro e retornou a São Paulo no lucro.

No Palestra Italia, motivado pela classificação heroica às semifinais da Copa do Brasil com o inesquecível 4 a 2 sobre o Flamengo, o Palmeiras sobrou. Em outra noite inspirada do maestro Alex, que anotou dois gols na vitória por 3 a 0 (o outro foi do zagueiro Roque Junior), o Palmeiras, depois de 31 anos, voltava a uma final de Libertadores.

Final

O rival na decisão foi o Deportivo Cali-COL, que havia eliminado o Colo-Colo-CHI nas oitavas, o Bella Vista-URU nas quartas e o Cerro Porteño-PAR nas semis. No dia 02 de junho, na Colômbia, o Verdão, em um jogo acirrado, foi derrotado por 1 a 0.

Quatorze dias depois, o Alviverde (que naquele meio tempo tinha disputado as semifinais e a primeira final do Paulista e as semifinais da Copa do Brasil), foi a campo com Marcos; Arce, Júnior Baiano, Roque Júnior e Júnior; César Sampaio, Rogério, Alex e Zinho; Paulo Nunes e Oséas.

Após muita insistência alviverde, coube ao ídolo Evair, que deixara o banco de reservas para substituir o lateral Arce, abrir o placar de pênalti aos 19 minutos do segundo tempo. Logo aos 24 min, no entanto, Zapata, também da marca da cal, igualou. Mas Oseás apareceu no meio da área aos 30 min, completando cruzamento do lateral Júnior e levando o embate para as penalidades.

A disputa dor pênaltis foi puro sofrimento. Na primeira cobrança, Zinho acertou uma bomba no travessão e deixou o Palestra Italia calado, apreensivo. A angústia foi aumentando até que, no quarto arremate do Cali, Bedoya também encontrou a trave. Na quinta batida palestrina, Euller chutou com classe e deixou o Verdão em vantagem pela primeira vez. A partir de então, um grito uníssono de “fora” tomou conta do estádio. E quando Zapata foi para a bola, todo palmeirense já sabe… um chute para fora, no lado oposto a Marcos, e a América estava pintada de verde e branco! Festa no chiqueiro!

Números gerais

14 jogos (7 vitórias, 2 empates e 5 derrotas), 24 gols marcados e 18 gols sofridos

Ficha Técnica da final

Palmeiras (4) 2×1 (3) Deportivo Cali
Data: 16/06/1999
Local: Estádio Palestra Italia, São Paulo-SP
Juiz: Ubaldo Aquino (Paraguai)
Cartões amarelos: Alex (PAL), Betancourt (DCA), Córdoba (DCA), Dudamel (DCA), Hurtado (DCA), Júnior Baiano (DCA), Zapata (DCA) e Zinho (PAL)
Cartão vermelho: Mosquera (34′ do 2º tempo-DCA) e Evair (49′ do 2º tempo-PAL)

Palmeiras: Marcos; Arce (Evair), Júnior Baiano, Roque Júnior e Júnior; César Sampaio, Rogério, Zinho e Alex (Euller); Paulo Nunes e Oséas. Técnico: Luiz Felipe Scolari.

Deportivo Cali: Dudamel; Pérez (Gavíria), Mosquera, Yépez e Bedoya; Zapata, Viveros, Betancourt e Candelo (Hurtado); Córdoba (Valencia) e Bonilla. Técnico: José Hernández.

Gols: Evair (20′ do 2º tempo-PAL), Zapata (25′ do 2º tempo-DCA) e Oséas (31′ do 2º tempo-PAL). Nos penâltis: Dudamel (DCA), Júnior Baiano (PAL), Gavíria (DCA), Roque Júnior (PAL), Yepes (DCA), Rogério (PAL) e Euller (PAL)

Elenco

JOGADOR POSIÇÃO J V E D GP
Alex Meia 14 7 2 5 4
Arce Lateral-direito 14 7 2 5 3
Oséas Atacante 14 7 2 5 4
Paulo Nunes Atacante 14 7 2 5 3
Zinho Meia 14 7 2 5 0
Galeano Volante 13 6 2 5 0
Junior Baiano Zagueiro 13 6 2 5 5
Rogério Lateral-direito e volante 13 7 1 5 1
Evair Atacante 12 6 2 4 2
César Sampaio Volante 11 6 1 4 0
Cléber Zagueiro 11 5 2 4 1
Júnior Lateral-esquerdo 11 5 2 4 0
Marcos Goleiro 10 5 1 4 -11
Roque Junior Zagueiro 9 5 1 3 1
Jackson Meia 7 3 2 2 0
Euller Atacante 4 2 0 2 0
Velloso Goleiro 4 2 1 1 -7
Rúbens Junior Lateral-esquerdo 3 2 0 1 0
Aguinaldo Zagueiro 1 1 0 0 0
Rivarola Zagueiro 1 0 0 1 0
Tiago Silva Lateral-esquerdo e volante 1 1 0 0 0
TÉCNICO J V E D
Luiz Felipe Scolari 14 7 2 5

 

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